Archive for Dezembro 2008
Futebol e Moda – parte 2
Bom, já que começamos a falar sobre a ligação entre a Moda e o Futebol, vale a pena divulgar o trabalho de”reporter” que nossa estilista fez pro blog “Expulsos de Campo“.
Pra ver o post, clique aqui.
Futebol e Moda
Golaço da Cavalera.
Aproveitando se da recente aproximação do futebol e da moda, devido aos lançamentos de diversos modelos de uniformes retrô, a CAVALERA lançou-se no mercado esportivo, desenvolvendo a terceira Camiseta da Portuguesa, através de uma parceria com a PENALTY (fornecedora de material espotivo do time).
Por enquanto, as camisetas podem ser encontradas nas lojas CAVALERA ou na loja oficial do clube por R$ 149,90.
A camisa, preta, com faixas vermelha e verde do lado esquerdo do peito é bastante ousada, por se difrerenciar dos modelos tradicionais, e prova que a moda pode trilhar caminhos que antes pareciam antagônicos ou fechados a ela.
O mais legal é que a escolha do desenho foi feita pelos próprios torcedores da Portuguesa, em votação realizada no site oficial do clube. Depois de mais de 30 mil acessos, a torcida depositou 37% dos votos no modelo em questão.
A foto abaixo (do site da própria CAVALERA) apresenta a camiseta.

Fim da Casa dos Criadores Inverno 2009
Na noite de encerramento da Casa de Criadores Inverno 2009, os estilistas mais novos e o mais veterano foram responsáveis por mais aplausos. Começamos o encerramento com os desfiles:
Do Projeto Zero, organizado pela Casa de Criadores, Mundo Mix e pela ABIT, formado por estilistas recém-saídos da faculdade, apresentando minicoleções:

Ivano de Paula Silva se inspirou em figuras da moda que iam de Clodovil a Karl Lagerfeld como referência para o inverno ajustado ao corpo, com muito xadrez, brilho e ótima modelagem em calças de couro.
Mariana Carbonell se jogou nos drapeados em tule preto sobre cetim, sua coleção contou com vestidos cheios de babados geométricos. Tudo com um excelente acabamento e tecidos de alfaiataria.
Talita Pinzan apresentou uma coleção com micro-vestidinhos, golas estruturadas e trabalhadas, muitos babados (com tecidos duros, dando um aspecto de rigidez), cintura bem marcada e muitos recordes mostrando o corpo.
Karin Feller ganhou o grande prêmio da noite: entrará no lineup da próxima edição da Casa e venderá suas roupas no próximo Mercado Mundo Mix em Portugal. Karin optou por trabalhar com malharia possibilitando um novo aspecto ao material, como formas, camadas e volumes.
Voltando ao line-up oficial:
Gustavo Silvestre

Com muitos bordados, aplicações, brilho, lurex, recortes, franjas, o estilista pernambucano olhou para as garotas da noite que adoram sair para dançar e se divertir em lugares super badalados. Muitos vestidos curtos, muita transparência e até mesmo macacão (com bordados localizados).
Prints I Like

Mix de mitologia com um pouco da aviação e o Meu Pequeno Pônei. Luisa Aguiar, uma liustradora de mão cheia, continua focada no seu estilo romântico, com vestidos acinturados, babados e estampas delicadas. Para quebrar o romantismo exacerbado veio a calça de couro justíssima.
ADD

O diferencial da ADD, do estilista Faissal Makhoul, está sempre nos tecidos, desta vez com tecidos que em tese seriam super quentes, mas que devido à boa manipulação ganham leveza e frescor. As calças eram mais justas ou com elástico no tornozelo. Alguns moletons, camisetas de manga longa em algodão bem fininho.
Weider Silveiro

O estilista tem uma paixão declarada por ombreiras e continuou apostando pesado nelas, agora com um contexto mais esportivo e bem americanizado. Com referências em elementos típicos dos EUA ele criou vestidos soltinhos estampados com estralas e ombreiras bem redondas, estilo de futebol americano. Muitas peças feitas em náilon e alguns moletons com matelassê.
Walério Araújo

O desfile mais esperado da Casa dos Criadores Inverno 2009- trilha sonora embalada por Goobie (espécie de MC), um travesti “brincando” de modelo alternando a vez com a top Viviane Orth garantiram um show à parte do desfile. Com inspiração e referências da época medieval e pelo rock de bandas que ele gosta, o desfile contou com a presença de pérolas (MUITASSS pérolas), amarrações de corselet nas costas, tecidos plastificados lembrando vinil e o grande momento: a metamorfose do rock para se enquadrar no mundo glamouroso.
E encerramos a Casa dos Criadores Inverno 2009.
As fotos foram retiradas dos sites: http://www.aboutfashion.com.br/2008/12/11/casa-de-criadores-3o-dia-2/ e http://estilo.uol.com.br/moda/album/pontozeroi09_album.jhtm
Segundo dia Casa dos Criadores Inverno 2009
O segundo dia da Casa de Criadores (09/12/08),foi uma verdadeira maratona de desfiles de estilistas iniciantes e jovens marcas, isso por causa do Projeto LAB, de novíssimas marcas. Com tantos desfiles, já conseguimos pegar a tendência para o inverno 2009, que é o preto pesadão, bem carregado.

O projeto LAB, que desfilou ontem, conta com jovens estilistas e marcas novíssimas como:
Jadson Ranieri (assistente de Walério Araújo) trabalhou muito bem com alfaiataria, mesclando seriedade com um toque militar- coturno e casacões, Mahogani com as absurdas personagens da noite Michael Love e Bianca Exótica, R Rosner com seus golões gigante, Arnaldo Ventura com suas as mulheres formigas que transitam entre o festão chique e uma diva glamurosa do rock, Tony Jr. com quem tive o prazer de trabalhar e conviver durante muitos dias começou o desfile de sua coleção com bons modelos com estampa de respingo de tinta e terminou com um mix de referências de bichos e etnias, além da mistura de materiais e signos como onça, babado, franja, tigre, renda, resultando em um trabalho que é exatamente a cara dele e Juliana Altafim e Nadjla Dib, estilistas capixabas Juliana Altafim e Najla Dib, escolhidas no 1º Prêmio Novos Criadores de Vitória, no Espírito Santo.


Gêmeas

Com apresentação de bailarinas, com inspiração em “O Lago dos Cisnes” e roupas com perfume roqueiro para garotas que gostam de festa e da noite, sugerindo um ar sedutor.
Der Metropol

Mario Francisco, em carreira solo desde que se separou da sócia na última edição dos Criadores, continuou com foco na coleção masculina, que desta vez usou as letras da banda Alice in Chains como referência em temas de morte e decepção amorosa. Calças de cavalo baixo, jaquetas com jeito de paletó, muito moletom e modelagem complexa, atingindo grande êxito.
Diva

Coleção para meninas que gostam de muito um babado, vestidos cheios de frufru, com ares retrôs e exagero proposital (kitsch).
Marcelu Ferraz

Marcelu Ferraz com streetwear masculino em moletom, para garotos que gostam da rua e de festas em boate.
P´tit

Seu primeiro desfile sem performance com inspiração no movimento do art déco (décadas de 20 e 30) para criar sua coleção. Os tecidos diferenciados, vintage, garimpados em viagens, são diferenciais que contribuem para o clima retrô. Os acessórios são fortíssimos, desenvolvidos em parceria com a NIZT, dourados, com correntes. O dourado aparece em detalhes- dando glamour- combinando com preto, além do azul sujo, envelhecido, vermelho ou o bege.
No ultimo dia da temporada Inverno 2009, dia 10 de dezembro (hoje), quarta-feira:
Ponto Zero [Ivano de Paula Silva, Mariana Carbonell, Talita Pinzan e Karin Feller]
Gustavo Silvestre
Prints I Like
ADD
Weider Silveiro
Walério Araújo
fotos: http://estilo.uol.com.br/moda/album/projetolabi09_album.jhtm
24a Edição da Casa dos Criadores
Começou ontem (08/12/08) a Casa de Criadores Inverno 2009, evento voltado para os novos talentos da moda brasileira, apresentando looks para o Inverno 2009. Reveladora de talentos importantes para a moda brasileira, como Ronaldo Fraga, Marcelo Sommer e Jum Nakao.
Os estilistas que participam são conhecidos por mostrarem coleções coerentes, com personalidade, aliando o novo e o comercial.
Uma performance antecedeu o início dos seis primeiros desfiles. Em uma citação à ação dos pichadores que invadiram a última Bienal de Artes de SP, um grupo de jovens com camisetas brancas andou pela passarela para, em seguida, ter suas camisetas “pichadas” com spray numa base de silk, com desenhos e frases como “São Paulo não é cinza”. A ação foi organizada pelos artistas Renan Serrano e Fernanda Ruivo.
Abaixo a programação de desfiles:
Dia 8 de dezembro (ontem), segunda-feira
André Phergom

Tive o prazer de conhecer Phergom há uns meses atrás (um fofo). Abriu as apresentações com espírito roqueiro inspirado no ex-vocalista do The Smiths, Morrissey, criou calças justas, correntes e camisetas puídas, além das jaquetas das mais variadas, ora mais femininas, ora quase paletós. O veludo apareceu nas calças ajustadas, a meia-calça veio com bermuda, e os modelos saruel finalizaram uma bela composição.
No Hay Banda

Com aposta mo clima retrô do pós-guerra, com golas com referências no estilo militar, combinações de lilás e preto, preto e branco com ares envelhecidos .Em insinuações de matingarles em versões molengas em belos vestidos (maravilhosos) pretos também moles e brilhantes.
João Pimenta

João Pimenta concentrou nas partes mais sinuosas das formas da mulher para criar suas roupas de homem: o quadril e a cintura. Tecidos como linho grosso, lã e moletom e apenas o preto e o branco, além de enchimentos, foram utilizados para arredondar os quadris das calças, marcando a cintura. Tudo com um toque de sinistro nas peças com amarrações de roupa de hospital nas costas, criando uma imagem que tinha força e provocava interesse na passarela.
Ianire Soraluze

Ianire, uma execlente pessoa, meiga e determinada, com quem tive o prazer de passar alguns dias, lançou a proposta de desconstruir o próprio estilo para se encontrar. Acertou no tom elegante e boa confecção de roupas, pantalonas, casacos soltos, pontudos e abertos, que acompanhavam o corpo. As cores combinavam entre si, marrom com laranja e azul com preto.
Tudicofusi

A dificuldade diante da crise financeira em fazer roupa foi aderida à coleção, que teve peças ajustáveis a vários corpos. Franzidos em vestidos curtos e longos, pontas e aspecto de roupa não acabada em cores neutras e alegres como o azul e o amarelo.
Na parte da frente da passarela, uma cadeira com um grande ovo em cima, obra do artista Guto Araki.
Rober Dognani

O comprimento da vez é:curtíssimo para Rober. O couro foi muito bem trabalhado (apesar de eu, particularmente não gostar de couro por questão ética). Os vestidos trouxeram bem-feito e interessante trabalho neste material, com relevos estufados que de longe pareciam pregas,fazendo com que lembrássemos armaduras de guerreiros. O clima levemente futurista foi quebrado a partir da entrada de um macacão de calça comprida. A partir de então, os vestidos mudaram, assim como o couro, que apareceu mais mole, franzido ou drapeado, intercalado com dourado forte (super tendência).
Dia 9 de dezembro (hoje), terça-feira
LAB [R. Rosner, Tony Jr., Mahogani, Juliana Altafim e Nadjla Dib, Jadson Ranieri e Arnaldo Ventura]
Gêmeas
Der Metropol
Diva
Marcelu Ferraz
P´tit
Dia 10 de dezembro, quarta-feira
Ponto Zero [Ivano de Paula Silva, Mariana Carbonell, Talita Pinzan e Karin Feller]
Gustavo Silvestre
Prints I Like
ADD
Weider Silveiro
Walério Araújo
Referências das fotos: http://www.aboutfashion.com.br/tag/no-hay-banda/
Moda e Sociedade
O século XIX é considerado o século da Moda devido ao progresso da indústria têxtil, desenvolvimento do mercado de roupas prontas, o declínio do comércio de roupas usadas e o surgimento de novos magazines. Tudo graças à melhoria do nível de vida da população.
Também se produziu diversos discursos sobre a moda, em periódicos, jornais femininos, obras literárias, etc.
Entre os primeiros sociólogos a pensarem a Moda, destacam-se:
HEBERT SPENCER
Para ele, a moda tem por base a IMITAÇÃO e DISTINÇÃO. Para a imitação ocorre dois momentos: o respeito inspirado por aquele que se imita ou o desejo de se afirmar igualdade.
A mudança da moda, se dá através das classes inferiores (em busca de respeitabilidade social) copiarem os modos de ser e parecer das classes superiores, que para manterem a distinção são obrigadas a modificarem ou criarem novas modas.
GABRIEL TARDE
Pra ele, “Moda é essencialmente uma relação entre os seres, um laço social caracterizado pela imitação dos contemporâneos e pelo amor das novidades estrangeiras. Ela deve ser entendida como uma forma geral da sociabilidade, presentes em todas as èpocas e em todas as civilizações“.
Isso ocorre em sociedades que estimam as novidades mais que os costumes, portanto, a moda não é uma invenção do Ocidente, mas está colocada desde a Antiguidade.
Diferencia COSTUME de MODA e divide-os em “eras”:
“Eras de COSTUME”: prestígio à Antiguidade e imitação dos ancestrais, valor maior ao país.
“Eras de MODA”: Culto às novidades, “o que é novo é bom”, imitação dos modelos presentes e estrangeiros, sociedade mais fiel ao tempo.
THORSTEIN VEBLER
Sua definição de moda é “formas nocivas de consumismo e que suas constantes mudanças se explicariam pelo desejo eternamente frustrado de se escapar da feiúra dos estilos irracionalmente impostos“.
Expressão mais que perfeita de CONSUMO CONSPÍCUO, onde classe superiores (em busca de honra e prestígio) exibiam luxo e adotavam as novidades do vestuário e ornamentação pessoal.
O vestuário da moda significava, para ele, a Insígnia do Ócio, o poder de distinguir a posição social do portador.
GEORG SIMMEL
Ve a relação entre a vida nas cidades, o individualismo e o desenvolvimento da moda nas eras da indústria.
Levava em consideração a imitação e distinção para compreender a participação do indivíduo nos circulos sociais formados nas grandes cidades.
As Grandes Cidades eram espaços privilegiados para o desenvolvimento da moda pois acentuavam a individualidade e o fácil progresso das classes inferiores ao acesso à bens de consumo.
No ínicio do século XX, os Antopólogos voltaram-se para a função dos trajes e os Psicológos procuraram compreender o papel da roupa como linguagem do corpo.
Um antropológo vê que a moda veste e dá valor à estética corporal, mas não é a vestimenta nem a parência que ela se liga e sim, aos seus símbolos.
Meu trabalho sobre Futebol e Moda
Conforme prometido no post anterior, hoje vou falar sobre o Projeto Interdisciplinar que apresentei no primeiro semestre de 2008.
Devido ao aniversário da Cidade de São Paulo foi pedido aos alunos que escolhessem um local da cidade para ser usado como tema, materializado em um painel referêncial para uma coleção primavera/verão 2008.
Embora não seja torcedora do São Paulo, decidi escolher o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, devido à proximidade com a faculdade.
Ao invés de utilizar referências ligadas diretamente ao futebol ou ao próprio São Paulo, decidi me ater a elementos visuais da arquitetura do Estádio.
Por exemplo a granulação da arquibancada amarela, a própria torcida vista como um elemento único, o gramado e os holofotes, resultando no painel abaixo:
Acima, podemos observar os três croquis desenvolvidos, a cartela de cores (que nada lembram as trÊs cores do Estádio e do Clube), o Público-Alvo, além do título, uma citação do próprio Cícero Pompeu de Toledo, sonhando com a construção do maior Estádio particular do mundo.





