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O Carnaval e as Máscaras

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O Carnaval está chegando e estou fugindo pro Uruguai e Argentina na sexta-feira, já pulei muitos carnavais no Brasil, mas acho que estou ficando velha (heheh) não tenho mais vontade de pular e ficar na farra, entretanto me interesso muito pela historia/cultura do Carnaval. Então decidi postar sobre as máscaras utilizadas no carnaval.

Há um tempo atrás estive na cidade de São Francisco Xavier e fui conhecer o Atelier de las Máscaras, do mestre mascareiro Carlos Alberto Gaudin, 56 anos, que cerca de 5 anos começou a confeccionar máscaras que remetem ao tradicional Carnaval de Veneza e àcommedia dell’arte e podem ser usadas como peça decorativa ou adereço para bailes.

Tudo começou quando o argentino radicado no Brasil há 37 anos ficou desempregado e, durante uma visita à casa de uma amiga carioca, se deparou com uma coleção de máscaras, ficou tão maravilhado que teve vontade de aprender as técnicas e fazer máscaras (não é difícil se apaixonar pelo universo lúdico e ar misterioso que as máscaras proporcionam).

Para aprender a “cartapesta”, técnica de empapelamento que requer várias camadas de papel reciclado e de jornal para formar uma máscara, Gaudin passou um ano pesquisando livros de arte, escultura da cabeça humana e técnicas de pintura.

Como as peças são feitas sob encomenda, o mestre mascareiro recebe clientes de toda parte do Brasil e até do mundo o que acaba tornando seu Ateliê um atrativo turístico de São Francisco Xavier.

Sobre as máscaras:


Presentes no Carnaval veneziano até hoje, Gaudin acredita que as máscaras são um complemento importante também para a festa brasileira. “Apesar de serem usadas apenas em algumas situações, como bailes de máscaras, elas são peças muito importantes em alguns países. “Brasil e Veneza têm estilos diferentes de Carnaval. No Brasil, há um culto mais tropical e as pessoas não usam mais tantas máscaras. Até os anos 80, elas eram tradicionais nos bailes de clubes. Agora, as máscaras estão voltando para os bailes à fantasia e peças decorativas”, explica.

A história:

O estilo das máscaras que complementam fantasias e adornam paredes de colecionadores começou por volta do ano de 1550, em Veneza. Nessa época, os venezianos usavam as máscaras para se esconderem, por questões político-religiosas, durante os 365 dias do ano. “O principado era muito liberal e tinha alguns conceitos contrários aos da Igreja Católica. Nessa altura, o ‘Carnevale’ também já existia e era tido como uma ‘festa pagã’ e as máscaras integravam o figurino das peças teatrais da commedia dell’arte.

Tudo isso durou apenas até 1750, quando Il Doje, príncipe de Veneza, foi obrigado pelo papa a proibir o uso das máscaras pelo povo veneziano. A partir de então, as máscaras só eram permitidas somente no palco da commedia dell’arte. As peças só voltaram a integrar o figurino das festas italianas em 1880, com o primeiro atelier de máscaras de Veneza, o “Maschere mondonovo”.

Independente do modelo, as máscaras são uma mistura de tradição e de mistério, num jogo de fantasia sobre o que elas mostram e escondem, “A máscara é mística, é pura arte”, acredita o mestre mascareiro de São Francisco Xavier.

As máscaras podem ser encomendadas via e-mail (gaudinmasks@yahoo.com.br) e variam de R$ 150 a R$ 800.

Parte da entrevista com o mestre mascareiro foi retirada do site: http://www.atelierdelasmascaras.com.br/atelierdelasmascaras/m_comum/imgs/01.pdf

Por Mariana Arruda