Diferentes Percepções

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Depois que eu participei do 1º encontro de ESTILO, ELEGÂNCIA E EQUILIBRIO: um olhar inclusivo sobre a moda (realizado pela Fundação Dorina Nowill para cegos), onde conheci pessoas maravilhosas e me inseri no universo dessas pessoas, eu tenho focado meu olhar para as necessidades e percepções de uma pessoa com deficiência visual.

Tento ajudar a achar soluções que a moda pode proporcionar a estas pessoas. Penso em como poder transmitir uma cor para alguém que nunca enxergou uma cor. Por meio de sensações que as cores refletem? Etiquetas em Braille? Atendimento personalizado?

Pensando e refletindo sobre esse assunto, encontrei um filme/documentário que aborda os temas que fazem parte da percepção, acho que vale a pena assistir.

janela-da-alma

Com direção de Walter Carvalho e João Jardim, escrito por José Saramago, “A Janela da Alma” é um filme, em gênero de documentário, que discute o processo de percepção do mundo, e a maneira que os fatos se dão, não apenas através da visão. O filme apresenta dezenove depoimentos, todos os entrevistados apresentam algum problema visual, que vai desde a miopia à cegueira.

O filme oferece uma profunda reflexão sobre o olhar, e como ele se relaciona com a percepção dos fatos, mostrando que muitas vezes, somente enxergar não garante a real percepção das coisas, e que existem elementos que podem complementar a percepção.

Os depoentes também falam da sua experiência de vida no convívio com a deficiência, mostrando como eles e suas famílias se adaptaram a isso.

Assista uma parte do filme/documentário:

Outro ponto que chama atenção no documentário é a participação do fotógrafo Eugen Bavcar, que também é cego, mas que, no entanto, consegue fazer belas fotos com o auxilio do tato, da imaginação e da audição. Ele chegou a se guiar pelo som, fazendo fotos em movimento, mostrando como a audição é uma outra forma de ajudar a sentir e perceber o mundo.

O escritor José Saramago fala que se enxergássemos tal como as águias, também sofreríamos porque enxergaríamos muito além do nosso olhar, e provavelmente também teríamos problemas com a percepção.

Fala ainda que somos todos cegos, cegos por nos termos tornado seres egoístas, transformando o mundo cheio de desigualdades, de sofrimentos sem justificação e conclui dizendo que devemos olhar as coisas por todos os ângulos, para que não tenhamos decepções.

Assim, “A Janela da Alma” é acima de tudo, um filme de expressão pessoal que aborda diferentes formas do olhar, como percepção, como reconhecimento e como emoção.

por Mariana Arruda

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