Por dentro da DITADURA ARGENTINA (1976-1983)

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O tema escolhido para o desenvolvimento do nosso (meu e da Thaís) TCC foi a luta das Mães da Praça de Maio para manter viva a lembrança de seus filhos e netos que “desaparecerem” durante a ditadura na Argentina, de 1976 a 1983.

Pra chegarmos no foco do tema, pesquisamos MUITO sobre o contexto histórico e social da época em que surgiram as Madres de la Plaza de Mayo. Por isso hoje vou postar aqui um pouco sobre a Ditadura Argentina- um dos mais violentos períodos de repressão- esse estudo resultou em nosso primeiro capítulo:

A segunda metade do século XX na Argentina foi marcada por uma continua disputa entre dois setores da sociedade. De um lado os militares, do outro o Movimento Nacional Justicialista, também conhecido como “peronismo”, uma vez que foi criado a partir dos ideais de Juan Domingo Perón. Essas disputas, segundo Alejandra Leonor Pascual, professora da universidade de Brasília (UnB) e autora do livro Terrorismo de Estado, acabaram por prejudicar principalmente o povo argentino que freqüentemente via seus direitos perdidos em meio a tanta disputa, foi um período em que os militares argentinos torturaram e assassinaram os dissidentes e utilizaram o terror como meio de repressão.

Segundo o autor Voltaire Schilling, em sua publicação Argentina, Ditadura e Terror, durante os anos 1960 e 1970 todos os governos eleitos foram derrubados por Golpes Militares. Em 1972 Juan Domingo Perón, ex-presidente de forte apelo populista deposto pelos militares anos antes, volta ao país. Em 1973, após 10 anos sem eleições gerais, Héctor José Câmpora é eleito e renuncia poucos meses depois para permitir que novas eleições, sem restrições, aconteçam. Desta vez Juan Perón participa e vence, assumindo mais uma vez o poder. Porém, em julho de 1974, Perón morre e sua mulher María Estela Martínez de Perón, a “Isabelita” o sucede no poder enfrentando forte oposição dos militares, que mais uma vez assumem o poder.

Uma junta militar indicava Jorge Videla à presidência, de 1976 a 1981, iniciando uma cruel ditadura, marcada por violações aos direitos humanos, violência política e forte perseguição aos opositores, principalmente do movimento peronista.

Segundo Martin Kohan, escritor do livro Duas Vezes Junho, os seqüestros, torturas e assassinatos foram cometidos contra suspeitos políticos de todas as classes e profissões. Algumas manobras foram feitas na tentativa de que a Ditadura ganhasse apoio popular; a mais polêmica delas foi a realização da Copa do Mundo de 1978:

 “(…) enquanto os olhos do mundo estavam voltados para Argentina e a conquista do título pela seleção portenha, o regime militar exterminava, torturava e matava quem se opunha ao governo do país, porém, com a “camuflagem” da Copa o regime conseguiu que boa parte do país esquecesse o que estava passando para celebrar a vitoria argentina”. (KOHAN, 2005 p. 237)

 

Depois de Jorge Videla, uma série de outros militares exerceram a presidência. Em 1982, durante o governo do general Leopoldo Galtieri decidiu-se pela invasão das Ilhas Malvinas, território sobre ocupação britânica desde o século XIX, cujo resultado foi a chamada Guerra das Malvinas que terminou com a derrota da Argentina, com 649 mortos do lado latino premeditando o fim da Ditadura. Com a derrota, Heynaldo Bignone assumiu a presidência e teve que enfrentar forte descontentamento popular. Crescentes manifestações pediam o retorno da democracia que aconteceu em 1983 com a eleição de Raúl Alfonsin, cujo governo se caracterizou não só pelo retorno à democracia como também ao rápido julgamento dos militares envolvidos nos crimes durante a Ditadura.

“O período ditatorial na Argentina foi cruel e sangrento, estima-se que 30 mil desaparecidos foram seqüestrados pelos militares. Muitos opositores fugiram do país para se salvar. Poucas famílias não tiveram alguém atingido de alguma forma pela repressão que se abateu sobre a nação. O país durante aqueles sete anos de chumbo foi ocupado por suas próprias forças armadas. Generais tornaram-se reitores de universidades, majores e capitães, diretores de colégios. O caos tomava conta da Argentina nesse momento.” (DUHALDE, 1983 pg.52)

 

O governo autoritário deixou marcas na Argentina mesmo após a ditadura que, segundo os autores do livro LUCHAR SIEMPRE- Las Marchas de La Resistência:

 “(…) se atribuiu fundamentalmente a derrota da Guerra das Malvinas e ao desastre econômico, que como explicação tem um paralelo com aquela que destaca a intervenção decisiva dos países aliados dos EUA no fim do fascismo na Itália fazendo com que presidentes não conseguissem concluir seus mandatos por causa da grande instabilidade econômica e social.” (VÁZQUEZ e IRAMAIN. 2007 pg.26)

Em resposta a tudo o que acontecia, em especialmente aos sumiços, surgiu uma organização forte e corajosa, as Madres de la Plaza de Mayo:

“que, não satisfeitas com as escusações e tergiversações das autoridades, começaram a exigir em público, com coragem quase que suicida, a devolução dos seus filhos e uma satisfação que fosse a respeito do sumiço. Por isso, chegaram a serem chamadas de “Las locas de la Plaza de Mayo”. (SCHILLING. 2005 pg. 35)

 Uma das integrantes das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora- Nora Cortiñas afirma que os militares demonstraram total falta de humanidade: “Eles foram cruéis. Jogaram jovens vivos ou mortos nas águas (do Rio da Prata), torturaram mulheres grávidas e até seus bebês em gestação. Como podem ser perdoados”. (VÁZQUEZ e IRAMAIN. 2007 pg.16)

Se o governo é ou será capaz de perdoá-los, as mães portenhas jamais o farão.

Essa luta constante, eficiente e inflexível foi o ponto de partida deste projeto.

Essas mães permitiram que a Argentina, a America Latina e o mundo todo não jamais esquecessem as brutalidades cometidas no período das ditaduras militares, porque, como bem afirma o ativista e pacifista, Adolfo Pérez Esquivel, “os povos que esquecem voltam a cometer os mesmos erros”.

Por Mariana Arruda Simoni e Thaís Fernandes Storino

TCC sobre Las Madres de La Plaza de Mayo

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  1. Seu texto e mt bom, vai me ajudar nos estudos pro vestibular, ja q e mt dificil achar nos livros as ditaduras em outros lugares,geralmente só tem do brasil, parabens 🙂

  2. caro eu irei fazer uma pergunta que você já deve ter visto. e sobre o novo papa francisco que estão acusando ele de participar justamente dessa ditadura daria para fazer alguns esclarecimento?
    e deixar claro o que aconteceu realmente para sair dessa esse papa bem tem cara de ditador mais
    ninguém julgar ninguém pela cara.
    mas deixando se saber que a um ditado que diz onde tem fumaça tem fogo

  3. Muito bacana! Será que poderia ter acesso a seu TCC? Estou fazendo um trabalho sobre memória coletiva no pós-ditadura argentino e gostaria de ter acesso à bibliografia que vocês utilizaram. Obrigada!

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